MADOZ
Vale a pena uma visita ao sítio deste fotógrafo: http://www.chemamadoz.com/
Acima do gosto de me dar a conhecer, há que contribuir para usar a internete como veículo de crescimento. Com rigor, com respeito, não fugindo à especulação fundamentada, não fugindo à irreverência. Limitado pelo meu saber e pela minha imaginação, e querendo de tudo tratar, preciso de vocês. Agradeço os comentários, apelo à humildade do que pergunta para saber mais. "To be and not to be is the answer" porque sabemos hoje que cada coisa contendo em si o seu contrário.
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
sábado, fevereiro 09, 2008
UMA MULHER
Não me via o anseio de ir? Não me via o mudar o peso de perna, a impaciência da timidez? Ou via e queria afastá-la?
Disse-me que aos nove anos servia a dias para ajudar a mãe, e que teve sonhos, e que os perseguiu a pulso. Disse-me que teve, que deixou de ter e que novamente se tinha erguido a pulso. E disse. E disse. Tecera a sabedoria com a sensibilidade, com a experiência, com o intelecto. E queria, inexplicavelmente, dizer-se em quinze minutos. De enfiada. Uma alma linda, feita com a quarta classe e os sonhos e os filhos e os afectos e a vontade, numa ânsia de partilha.
Oscilei entre o que ouvia e o temor de ser o que queria ouvir. As duas coisas escorregando numa timidez que se me erguia, a do medo de não poder ou de não saber retribuir.
Entrou uma freguesa e ela foi-se a aviá-la. Calçada acima, não percebi se estava ou não a fugir de um encantamento.
Não me via o anseio de ir? Não me via o mudar o peso de perna, a impaciência da timidez? Ou via e queria afastá-la?
Disse-me que aos nove anos servia a dias para ajudar a mãe, e que teve sonhos, e que os perseguiu a pulso. Disse-me que teve, que deixou de ter e que novamente se tinha erguido a pulso. E disse. E disse. Tecera a sabedoria com a sensibilidade, com a experiência, com o intelecto. E queria, inexplicavelmente, dizer-se em quinze minutos. De enfiada. Uma alma linda, feita com a quarta classe e os sonhos e os filhos e os afectos e a vontade, numa ânsia de partilha.
Oscilei entre o que ouvia e o temor de ser o que queria ouvir. As duas coisas escorregando numa timidez que se me erguia, a do medo de não poder ou de não saber retribuir.
Entrou uma freguesa e ela foi-se a aviá-la. Calçada acima, não percebi se estava ou não a fugir de um encantamento.
domingo, janeiro 13, 2008
REFERENDO?
São as elites (ou as vanguardas) quem normalmente orientam os povos para as decisões de fundo que antecipadamente tomaram.
Nunca se perguntou se Portugal queria integrar ou se queria aprofundar a sua relação com a Europa, em momentos tão ou mais cruciais que o actual, sem que se tivesse ouvido o actual alarido.
O Tratado de Lisboa é demasiado elaborado para ser compreensível pela maioria das pessoas.
O texto do Tratado de Lisboa é praticamente igual ao da Constituição Europeia.
A probabilidade de, ao referendar o Tratado em vinte e sete países, haver um que se opusesse, por causas que nada tinham a ver com o Tratado em si, como aconteceu com o não francês à Constituição Europeia, é apreciável. O prejuízo daí resultante seria grande para Portugal e para a maioria dos países da União Europeia.
O enraízamento da noção de cidadania europeia faz-se mais pela vivência do dia a dia - o que tem sido ignorado por muitos responsáveis europeus - do que pela mera discussão de decisões integradoras. Mas esta discussão não é contudo negligenciável, quer em termos de substância, quer em termos da formalidade que introduz no processo democrático da construção europeia.
Sócrates comprometeu-se eleitoralmente a fazer o referendo.
Sócrates comprometeu-se durante a sua presidência da União Europeia, a não o fazer.
... ?
Não me recordo de mais argumentos relevantes que tenham sido utilizados nos últimos tempos na discussão pública da questão referendária. Perante estes parece-me ser possível construir diferentes opiniões, segundo a forma de ser e o interesse de quem o faz.
São as elites (ou as vanguardas) quem normalmente orientam os povos para as decisões de fundo que antecipadamente tomaram.
Nunca se perguntou se Portugal queria integrar ou se queria aprofundar a sua relação com a Europa, em momentos tão ou mais cruciais que o actual, sem que se tivesse ouvido o actual alarido.
O Tratado de Lisboa é demasiado elaborado para ser compreensível pela maioria das pessoas.
O texto do Tratado de Lisboa é praticamente igual ao da Constituição Europeia.
A probabilidade de, ao referendar o Tratado em vinte e sete países, haver um que se opusesse, por causas que nada tinham a ver com o Tratado em si, como aconteceu com o não francês à Constituição Europeia, é apreciável. O prejuízo daí resultante seria grande para Portugal e para a maioria dos países da União Europeia.
O enraízamento da noção de cidadania europeia faz-se mais pela vivência do dia a dia - o que tem sido ignorado por muitos responsáveis europeus - do que pela mera discussão de decisões integradoras. Mas esta discussão não é contudo negligenciável, quer em termos de substância, quer em termos da formalidade que introduz no processo democrático da construção europeia.
Sócrates comprometeu-se eleitoralmente a fazer o referendo.
Sócrates comprometeu-se durante a sua presidência da União Europeia, a não o fazer.
... ?
Não me recordo de mais argumentos relevantes que tenham sido utilizados nos últimos tempos na discussão pública da questão referendária. Perante estes parece-me ser possível construir diferentes opiniões, segundo a forma de ser e o interesse de quem o faz.
quinta-feira, janeiro 10, 2008
AS DIFERENÇAS DE RENDIMENTOS
Cavaco Silva chamou a atenção para a demasiada desigualdade de rendimentos entre os pobres e os ricos portugueses. E logo uma mesa de comentadores - A. Lobo Xavier, Jorge Coelho e J. Pacheco Pereira - palrou sobre a questão.
Mal. Nenhum teve a sensibilidade para compreender que a demasiada desigualdade de rendimentos é um empecilho ético à democracia. Questão que se coloca na grande maioria das democracias ocidentais e que as corrói. Mas em Portugal mais, como em tantas outras coisas, para nossa desdita.
Depois, A. Barreto e José M. Júdice – porque são sempre os mesmos? os outros também querem ganhar dinheiro! - aparecem justificando aquela mesmíssima opinião, com o Estado a poder recorrer a maior percentagem do IRS nestes casos, se assim o entender. O Estado isto, o Estado aquilo. Serão alguma coisa sem o Estado? É o Estado quem faz a democracia? E ao mesmo tempo defendem que o Estado não deve impor a moral?!
Quanto a Cavaco, não sei se abordou a questão por razões da ética democrática, se o fez para ou por "ser bonzinho". Mas disse bem. Honra lhe seja feita!
“CONHECE-TE A TI MESMO”
Viajo solitariamente pela internete. Virtualmente como quando viajo também realmente.
E li que amar é o estar presente. Sempre. Presente espiritualmente.
E penso que o espiritual e o virtual já se sobrepõem ao real donde emanaram. E também que sou tudo e que tudo sou eu. E assim sendo não me posso conhecer.
terça-feira, janeiro 01, 2008
A POLÍTICA PORTUGUESA EM 2008
Depois do desgosto causado pela pequenez dos envolvidos nas politiquices em torno do BCP, da CGD e do Banco de Portugal, em crise criada pelos próprios gestores e aprofundada naturalmente pelos seus comparsas políticos, ocorreram-me, no primeiro duche deste ano que se inicia, duas ou três suspeições sobre o que talvez possamos esperar dele.
Suspeito que Cavaco Silva continuará a dar um apoio discreto a Sócrates.
A Sócrates, para ter uma nova maioria absoluta em 2009, para poder implementar a tão temida reforma do aparelho público. Temida em grande parte pelos senhores dos partidos políticos, muito provavelmente com os do PS à cabeça. A popularidade necessária, conquista-la-á com a implementação de medidas mais populares e mais visíveis, para desgosto do Sr. Meneses, visando sobretudo cimentar e expor a bondade do que até agora fez.
Suspeito que Filipe Meneses continuará na embrulhada em que se meteu, continuando a esforçar-se por desempenhar o papel do líder a abater após as eleições de 2009. Papel que os designados por barões do seu partido tinham atribuído a Marques Mendes. Suspeito, aliás, que estes últimos senhores já se começaram a aperceber de que a troca de figurantes lhes favorece as intenções.
Suspeito(!) que Jerónimo Sousa continuará a dizer verdades que todos sabemos, e algumas mentiras em que continua a acreditar piamente, sem acrescentar ideias realistas sobre o como agir para melhorar este mundo.
E mais não suspeito.
Depois do desgosto causado pela pequenez dos envolvidos nas politiquices em torno do BCP, da CGD e do Banco de Portugal, em crise criada pelos próprios gestores e aprofundada naturalmente pelos seus comparsas políticos, ocorreram-me, no primeiro duche deste ano que se inicia, duas ou três suspeições sobre o que talvez possamos esperar dele.
Suspeito que Cavaco Silva continuará a dar um apoio discreto a Sócrates.
A Sócrates, para ter uma nova maioria absoluta em 2009, para poder implementar a tão temida reforma do aparelho público. Temida em grande parte pelos senhores dos partidos políticos, muito provavelmente com os do PS à cabeça. A popularidade necessária, conquista-la-á com a implementação de medidas mais populares e mais visíveis, para desgosto do Sr. Meneses, visando sobretudo cimentar e expor a bondade do que até agora fez.
Suspeito que Filipe Meneses continuará na embrulhada em que se meteu, continuando a esforçar-se por desempenhar o papel do líder a abater após as eleições de 2009. Papel que os designados por barões do seu partido tinham atribuído a Marques Mendes. Suspeito, aliás, que estes últimos senhores já se começaram a aperceber de que a troca de figurantes lhes favorece as intenções.
Suspeito(!) que Jerónimo Sousa continuará a dizer verdades que todos sabemos, e algumas mentiras em que continua a acreditar piamente, sem acrescentar ideias realistas sobre o como agir para melhorar este mundo.
E mais não suspeito.
sábado, dezembro 01, 2007
FOME HOJE: UM NOVO CALDO
“O empobrecimento súbito de famílias habituadas ao bem-estar é cada vez mais sentido. Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, refere que 30% de todos os pedidos de ajuda são feitos por pessoas com rendimentos acima da média nacional.”
Expresso, 1 de Dezembro de 2007
A fome mais a vergonha de a ter. Ambas pela mão da vertigem do consumo.
Consumo não contido, antes promovido.
A herança de séculos: a burguesia marítma a “comer as migalhas que caem da mesa da Europa”. A partidocracia, a “alta finança”, a (des)construção civil, a vigarice e o demais.
O aumento e a democratização do saber. O bottom up: “Que mil flores floresçam”. A rede. A decadência da Europa top down, da Europa centralista de Napoleão.
A globalização e os “vasos comunicantes” entre países ricos e países pobres.
A poluição e a contaminação do mundo, e do que escrevo.
“O empobrecimento súbito de famílias habituadas ao bem-estar é cada vez mais sentido. Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, refere que 30% de todos os pedidos de ajuda são feitos por pessoas com rendimentos acima da média nacional.”
Expresso, 1 de Dezembro de 2007
A fome mais a vergonha de a ter. Ambas pela mão da vertigem do consumo.
Consumo não contido, antes promovido.
A herança de séculos: a burguesia marítma a “comer as migalhas que caem da mesa da Europa”. A partidocracia, a “alta finança”, a (des)construção civil, a vigarice e o demais.
O aumento e a democratização do saber. O bottom up: “Que mil flores floresçam”. A rede. A decadência da Europa top down, da Europa centralista de Napoleão.
A globalização e os “vasos comunicantes” entre países ricos e países pobres.
A poluição e a contaminação do mundo, e do que escrevo.
quarta-feira, novembro 28, 2007
O “POLITICAMENTE CORRECTO” (PC)
No meu pensar, o PC era uma procura, postiça ou artificial, da correcção e respeito para com os outros, escamoteando a investigação aprofundada das questões em causa. Tratava-se da busca da igualdade de género, sem cuidar de averiguar aquilo em que pode existir e aquilo em que é de perseverar e aprofundar a diferença; tratava-se do combate à xenofobia, ocultando que os principais xenófobos são os governantes que descuram a criação de condições para a inserção dos imigrantes; tratava-se de “respeitar” a democracia, evitando a necessidade de medidas firmes para a manter no longo prazo; etc; etc.
Aqui há uns tempos, em conversa ajantarada com alguns colegas, cheguei à conclusão de existir uma extensão semântica do PC, que me era alheia. Referi eu ter-me constado que o político X teria recebido uma pasta com uns dinheiros (destinados ao partido?), quando um dos meus colegas, num tom notoriamente PC, se pretendeu afastar de tal boato(?). Senti-me um imperdoável malandro por dar seguimento a tais boatos(?).
O tempo passou, mas este episódio insistiu em perseguir-me, como se algo de dissonante existisse. Debalde procurei convencer-me que tal se devia à minha sensação de culpa pela boatopropaganda.
Um dia destes fez-se luz: o PC convém a muitos políticos para encobrir as suas manigâncias. A técnica é simples: ao transformar-se a manifestão de uma suspeita na manifestação duma acusação, aquela passa a ser “politicamente incorrecta”, inadequada para ser transmitida.
De acordo com o ex-Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, em Portugal não haveria mais que uns 10% de políticos corruptos. PC!
No meu pensar, o PC era uma procura, postiça ou artificial, da correcção e respeito para com os outros, escamoteando a investigação aprofundada das questões em causa. Tratava-se da busca da igualdade de género, sem cuidar de averiguar aquilo em que pode existir e aquilo em que é de perseverar e aprofundar a diferença; tratava-se do combate à xenofobia, ocultando que os principais xenófobos são os governantes que descuram a criação de condições para a inserção dos imigrantes; tratava-se de “respeitar” a democracia, evitando a necessidade de medidas firmes para a manter no longo prazo; etc; etc.
Aqui há uns tempos, em conversa ajantarada com alguns colegas, cheguei à conclusão de existir uma extensão semântica do PC, que me era alheia. Referi eu ter-me constado que o político X teria recebido uma pasta com uns dinheiros (destinados ao partido?), quando um dos meus colegas, num tom notoriamente PC, se pretendeu afastar de tal boato(?). Senti-me um imperdoável malandro por dar seguimento a tais boatos(?).
O tempo passou, mas este episódio insistiu em perseguir-me, como se algo de dissonante existisse. Debalde procurei convencer-me que tal se devia à minha sensação de culpa pela boatopropaganda.
Um dia destes fez-se luz: o PC convém a muitos políticos para encobrir as suas manigâncias. A técnica é simples: ao transformar-se a manifestão de uma suspeita na manifestação duma acusação, aquela passa a ser “politicamente incorrecta”, inadequada para ser transmitida.
De acordo com o ex-Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, em Portugal não haveria mais que uns 10% de políticos corruptos. PC!
Valha a verdade, até simpatizo com o Sr. Dr. Jorge Sampaio e, que me conste, o colega a que acima aludi não é figura da política. Para além disso, nesta extensão semântica, o PC também se revela postiço. Serve os desonestos, ilude os bacocos.
terça-feira, agosto 14, 2007
O TEU ABRAÇO, MARGARIDA
Chorei depois de falar com a memória que tenho de ti. Recordei o dia em que me deste um abraço especial, um longo e estreito abraço. Nunca o esqueci. Atribuí o repetir da sua lembrança a uma certa angústia, à angústia de não ter sabido ou não ter podido corresponder-lhe.
Hoje percebi que me abraçaste muito para além desse meu entendimento. E, por isso, chorei.
Sei agora que acreditaste então ter-me compreendido. Que juntaste bocados do meu kharma passado e que acreditaste teres-me visto. Que sentiste uma compreensão nítida e desejada do meu ser, uma compreensão de tudo o que o justificava a teus olhos. Que julgaste possuir-me. E daí a imensa solidariedade e todo o amor de filha naquele longo abraço.
São de júbilo as minhas lágrimas. E publico-as. E quero louvar-te a constante demanda dos que tomaste como amigos. A demanda da amizade incondicional.
Chorei depois de falar com a memória que tenho de ti. Recordei o dia em que me deste um abraço especial, um longo e estreito abraço. Nunca o esqueci. Atribuí o repetir da sua lembrança a uma certa angústia, à angústia de não ter sabido ou não ter podido corresponder-lhe.
Hoje percebi que me abraçaste muito para além desse meu entendimento. E, por isso, chorei.
Sei agora que acreditaste então ter-me compreendido. Que juntaste bocados do meu kharma passado e que acreditaste teres-me visto. Que sentiste uma compreensão nítida e desejada do meu ser, uma compreensão de tudo o que o justificava a teus olhos. Que julgaste possuir-me. E daí a imensa solidariedade e todo o amor de filha naquele longo abraço.
São de júbilo as minhas lágrimas. E publico-as. E quero louvar-te a constante demanda dos que tomaste como amigos. A demanda da amizade incondicional.
terça-feira, junho 26, 2007
2 QUESTÕES SUGERIDAS POR UM PRÓLOGO DE J. L. BORGES
A leitura do prólogo feito por J. L. Borges à obra Mystical Works, de E. Swedenborg[1], homem que considera um dos mais brilhantes súbditos da Carlos XII, sugeriu-me duas questões.
A primeira tem a ver com o paralelismo que faz entre cabalistas e Swedenborg, que consideram cada homem como o universo inteiro, ou seja, um espelho de Deus, feito à sua imagem e semelhança, como esclarece. Recordo-me de Pessoa, quando constata nada (poder) ser, mas conter todos os sonhos do mundo... E, afirmam os discípulos, Siddartha Gautama já o dizia mais de dois mil anos antes, pretendendo que a viagem ao nosso interior nos traz o conhecimento do universo.
Oh Heráclito! Tudo muda? Parece haver verdades que transcendem o próprio tempo.
A outra questão é a de Borges chamar a atenção que, para Swedenborg, não basta ser justo para obter a salvação. Há também que ser inteligente e que ser artista, pretendendo-se com este último atributo referir a posse de uma elevada sensibilidade e a capacidade de a exprimir. Damásio diria que os dois últimos quesitos são as consabidas vertentes racional e emocional da inteligência, pelo que bastava então alegar somente a necessidade desta.
A salvação resultaria assim do ser justo e do ser inteligente. Sendo contudo a inteligência necessária ao procedimento recto, ela seria o principal pilar da salvação.
Pessoalmente parece-me que, quer Swedenborg primeiro, quer Borges depois, esquecem a necessidade da simplicidade para se alcançar a salvação. Falo daquela simplicidade que é fruto da sabedoria e da humildade e, sobretudo, do imenso trabalho que ela requer.
sexta-feira, maio 25, 2007
JANTARADA E SEQUELA
Ontem jantei com o passado. Com amigos ou conhecidos que era suposto já não ver há umas dezenas de anos. Um generoso leitão, acompanhado segundo os costumes, leitão que eu nunca vira, acompanhou-nos enquanto pôde, até se ir, digamos, esgotado.
Fui para a cama pesado. Devo ter escrito, noite adentro, enquanto cochilava, uns dizeres. E de manhã dei comigo a pensar que a guerra é mais filha da memória e que a paz é mais filha do esquecimento. Não sei se estou mal disposto, não sei se estou esperançoso.
Ontem jantei com o passado. Com amigos ou conhecidos que era suposto já não ver há umas dezenas de anos. Um generoso leitão, acompanhado segundo os costumes, leitão que eu nunca vira, acompanhou-nos enquanto pôde, até se ir, digamos, esgotado.
Fui para a cama pesado. Devo ter escrito, noite adentro, enquanto cochilava, uns dizeres. E de manhã dei comigo a pensar que a guerra é mais filha da memória e que a paz é mais filha do esquecimento. Não sei se estou mal disposto, não sei se estou esperançoso.
domingo, maio 20, 2007
EM VENEZA
Veneza parada na água e no tempo. No anoitecer da chegada, de supetão, malas por desfazer, desaba uma tempestade prenha de relâmpagos. E fizemos amor na janela aberta sobre a ria mar…
Veneza parada na água e no tempo. No anoitecer da chegada, de supetão, malas por desfazer, desaba uma tempestade prenha de relâmpagos. E fizemos amor na janela aberta sobre a ria mar…
Poderia não teres sido tu. Poderia perder-se a cumplicidade que também fazia o nosso amor. Então, seria diferentemente belo. Mas sempre belo.
domingo, abril 22, 2007
“LEITURAS EM VIAGEM” (à Matosinhos?)
1. Salão nobre da Câmara de Matosinhos, onze e três quartos. Era suposto Eduardo Lourenço tecer algumas considerações sobre as ditas leituras.
A sala está meia cheia, em quarto minguante. Resultado de um marketing que só parece funcionar para o celulóide político como noutras terras pequenas por essa Europa fora? Sim, não nos inferiorizemos: por lá também há gente pequena como por cá (embora talvez em menor proporção). Mas Eduardo Lourenço merecia mais.
Ele discursa uma prosa poética sobre o tema durante uns quinze ou mais minutos. A perfeição do que ouvia desviou-me a atenção do tempo. E para gáudio da parca e arrebanhada plateia, disse que fora em Matosinhos que vira o mar pela primeira vez.
Guilherme Pinto, o autarca presidente do concelho, disse pouco, exerceu bem o atributo da simplicidade, ou esta será mesmo da sua natureza, mas ficou-lhe bem.
2. Biblioteca Florbela Espanca e centro cultural anexo, pelas catorze e trinta.
1. Salão nobre da Câmara de Matosinhos, onze e três quartos. Era suposto Eduardo Lourenço tecer algumas considerações sobre as ditas leituras.
A sala está meia cheia, em quarto minguante. Resultado de um marketing que só parece funcionar para o celulóide político como noutras terras pequenas por essa Europa fora? Sim, não nos inferiorizemos: por lá também há gente pequena como por cá (embora talvez em menor proporção). Mas Eduardo Lourenço merecia mais.
Ele discursa uma prosa poética sobre o tema durante uns quinze ou mais minutos. A perfeição do que ouvia desviou-me a atenção do tempo. E para gáudio da parca e arrebanhada plateia, disse que fora em Matosinhos que vira o mar pela primeira vez.
Guilherme Pinto, o autarca presidente do concelho, disse pouco, exerceu bem o atributo da simplicidade, ou esta será mesmo da sua natureza, mas ficou-lhe bem.
2. Biblioteca Florbela Espanca e centro cultural anexo, pelas catorze e trinta.
Uma exposição de desenhos, uma de acrílicos com colagens e uma de lindos olhares em caras negras fotografadas. Nem um catálogo sobre o que se podia ver...
Uma mesa redonda em que o tema era o da viagem escrita de Jacques Kerouac, On the Road. Exceptuando a seriedade e a poesia de Ondjaki, foi a vulgaridade, o improviso e a piada fácil e tosca. Uma afronta à criatividade e à honestidade. O medo de que persistam em insultar a minha inteligência, afasta-me decididamente de ir a outras conferências.
sábado, abril 07, 2007
GOSTAVA DE ESCREVER EM ÁGUA
Gostava de escrever na água, com o indicador, com o mindinho, com os outros dedos, sabendo que o texto seria de suaves ondas e sabendo que nele não caberia a doçura nem a aspereza do verbo, desse verbo que nos faz e que nos isola.
Gostava de escrever na água, com os olhos, os milhares de páginas que rasguei antes de as ter escrito.
Gostava de escrever na água, com a razão, o que fica da busca que me faço, do tudo e do nada que sou.
Gostava de escrever na água, com o coração, os meus sonhos e o meu ser, mais os encontros e os afagos das húmidas musas.
Gostava de escrever na água, com o indicador, com o mindinho, com os outros dedos, sabendo que o texto seria de suaves ondas e sabendo que nele não caberia a doçura nem a aspereza do verbo, desse verbo que nos faz e que nos isola. Gostava de escrever na água, com os olhos, os milhares de páginas que rasguei antes de as ter escrito.
Gostava de escrever na água, com a razão, o que fica da busca que me faço, do tudo e do nada que sou.
Gostava de escrever na água, com o coração, os meus sonhos e o meu ser, mais os encontros e os afagos das húmidas musas.
Gostava de escrever a minha vida na água, com o meu corpo, ao sabor do acaso e ao meu sabor.
C. Marques Pinto
segunda-feira, abril 02, 2007
sexta-feira, março 23, 2007
COMENTÁRIOS AO QUE DIGO
(COMMENTS)
Desde a adopção da nova versão do "Blogger" que os comentários colocados não aparecem, apesar de ser deles avisado por correio electrónico ... Desculpem a deficiente qualidade do Blogger.
(Since the adoption of the new Blogger version, the comments people intend to post did not appear but I receive Blogger e-mails telling me about them ... Sorry for the Blogger bad service.)
(COMMENTS)
Desde a adopção da nova versão do "Blogger" que os comentários colocados não aparecem, apesar de ser deles avisado por correio electrónico ... Desculpem a deficiente qualidade do Blogger.
(Since the adoption of the new Blogger version, the comments people intend to post did not appear but I receive Blogger e-mails telling me about them ... Sorry for the Blogger bad service.)
quinta-feira, março 15, 2007
SONHEI COM UMA MULHER
“Sonhei a minha vida, ou foi um sonho?”
Walter von der Vogelwide (poeta austríaco)
Sonhei com uma mulher
que comigo desse
longos passeios ao ar
a ver o mar
a ver o jardim sem fim
sob os nossos passos
Sonhei com uma mulher
que me desse um amor
para juntar ao meu e
partir sem ir
ao encontro de uma
velhice afastada
Sonhei com uma mulher
cujo luxo fossem
rosas vermelhas a brotar
entre lençóis mais
alvos de amor
do que da cor
Hoje sei que
as mulheres
os homens
e o mundo
são realmente
feitos de sonhos.
C. Marques Pinto
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